PCAF
Fatores de Emissão por CNAE para PCAF no Brasil
Fatores de emissão setoriais para o mercado brasileiro, construídos a partir de dados nacionais onde disponíveis e complementados com estimativas globais onde necessário — denominados em BRL, classificados por divisão CNAE, e atualizados anualmente.
Visão Geral
Instituições financeiras que aderem ao PCAF (Partnership for Carbon Accounting Financials) precisam estimar as emissões financiadas de suas carteiras de crédito. Quando dados específicos da empresa não estão disponíveis (Score 5 da escala PCAF), fatores de emissão setoriais são utilizados como proxy.
As bases de fatores disponíveis globalmente — como o EXIOBASE, derivado de modelos europeus de insumo-produto — oferecem cobertura ampla, mas não refletem a estrutura econômica e a matriz energética brasileira. A Metodologia de Fatores Compostos Enverium é uma composição de dados inovadora preparada pela Enverium para melhorar incrementalmente a qualidade dessas estimativas: utiliza dados brasileiros medidos (SEEG, IBGE, EPE) para os setores de alta intensidade, e complementa com estimativas globais (EXIOBASE) para setores de serviços onde a contribuição direta é marginal.
O resultado são fatores por divisão CNAE denominados em kgCO₂e / M_BRL, rastreáveis até fontes públicas brasileiras, e validados contra os totais nacionais de emissão.
A Enverium mantém um esforço contínuo de aprimoramento desses fatores, cruzando dados regionais de múltiplas fontes públicas para produzir estimativas cada vez mais representativas da realidade econômica e ambiental brasileira.
Arquitetura de Dois Níveis
Tier 1 — Dados Brasileiros
~15 divisões CNAEEmissões nacionais medidas pelo SEEG, divididas pelo PIB setorial do IBGE
Cobre os setores de alta intensidade de emissão: agropecuária, mineração, manufatura pesada (cimento, metalurgia, química), energia, transporte e resíduos. Estes setores representam ~90% das emissões financiadas em uma carteira típica.
Tier 2 — EXIOBASE Fallback
~35 divisões CNAEFatores econômicos do modelo insumo-produto multi-regional europeu
Cobre setores de baixa intensidade onde o SEEG não tem dados diretos: serviços, comércio, TI, finanças, educação, saúde. Estes setores têm fatores de emissão pequenos e contribuem pouco para o total de emissões financiadas.
Fontes de Dados
SEEG — Sistema de Estimativas de Emissões de GEE
NumeradorMantido pelo Observatório do Clima, o SEEG fornece estimativas de emissões por atividade econômica, estado e bioma, de 1970 até o ano corrente. Versão 13.0 (dezembro 2025) cobre até 2024. Utiliza a mesma base metodológica do Inventário Nacional do MCTI, porém com atualização anual independente e mais rápida.
IBGE — Contas Nacionais e Pesquisas Estruturais
DenominadorO Valor Adicionado Bruto (VAB) por atividade econômica fornece o denominador: emissões divididas pelo PIB setorial produzem a intensidade de emissão. A Pesquisa Industrial Anual (PIA) fornece desagregação por divisão CNAE dentro do setor de Transformação.
EPE BEN — Balanço Energético Nacional
Chave de rateioAs "Matrizes Abertas" do BEN fornecem o consumo de energia por ~30 subsetores econômicos (cimento, ferro-gusa, química, alimentos, etc.). Quando o SEEG agrupa várias divisões CNAE em uma única atividade (ex: "Outras matérias primas e indústrias"), o consumo energético do BEN é usado como chave de rateio proporcional.
epe.gov.brEXIOBASE v3 — Modelo Insumo-Produto Multi-Regional
Fallback Tier 2Tabelas de insumo-produto estendidas ambientalmente, com contas satélite de emissões por setor e país. Filtramos para o Brasil e convertemos emissões por setor em fatores de intensidade (kgCO₂e por M_EUR de produto econômico). Usado como fallback para setores de serviços onde o SEEG não tem dados diretos.
Mapeamento SEEG → CNAE (Tier 1)
O SEEG organiza emissões por 17 "Atividades Gerais". A tabela abaixo mostra como cada atividade do SEEG é mapeada para divisões CNAE, com o método de rateio quando uma atividade cobre múltiplas divisões.
| Atividade SEEG | Emissões 2023 | CNAE | Rateio |
|---|---|---|---|
| Pecuária + Agricultura | 727 Mt* | 01 | Direto (excl. LULUCF) |
| Transporte de carga | 119 Mt | 49 | Direto |
| Transporte de passageiros | 112 Mt | 49 51 | BEN (modal split) |
| Saneamento Básico | 87 Mt | 37 38 | Efluentes / Sólidos |
| Metalurgia | 59 Mt | 24 | Direto |
| Produção de combustíveis | 44 Mt | 06 19 | BEN (extração / refino) |
| Cimento | 39 Mt | 23 | Direto |
| Geração de eletricidade | 38 Mt | 35 | Direto |
| Outras matérias primas e indústrias | 35 Mt | 10–17 22 25–31 | BEN (consumo energético) |
| Química | 13 Mt | 20 | Direto |
* Emissões diretas da agropecuária, excluindo LULUCF (mudança de uso da terra). As 1.934 Mt totais incluem 1.207 Mt de LULUCF atribuído a pecuária e agricultura.
Tratamento do LULUCF
As emissões por Mudança de Uso da Terra e Florestas (LULUCF) representam 38% das emissões brasileiras, predominantemente associadas ao desmatamento para expansão agropecuária. A atribuição dessas emissões a setores econômicos específicos é metodologicamente contestada.
A metodologia composta oferece duas variantes:
Consistente com PCAF Part A. Inclui apenas emissões diretas da atividade econômica (combustão, processos industriais, fermentação entérica, etc.).
Inclui emissões de desmatamento atribuídas à expansão agropecuária. Útil para análise de risco climático completo, mas resulta em fatores significativamente mais altos para CNAE 01 e 02.
Setores Tier 2 (EXIOBASE Fallback)
Para ~35 divisões CNAE de baixa intensidade, o SEEG não possui dados diretos de emissão. Estes setores emitem quase exclusivamente via consumo de eletricidade (Escopo 2) e cadeia de suprimentos (Escopo 3), que são capturados nos fatores econômicos do EXIOBASE.
Fatores EXIOBASE convertidos de kgCO₂e/M_EUR para kgCO₂e/M_BRL pela taxa de câmbio média anual EUR/BRL.
Validação
A metodologia inclui três camadas de validação:
Verificação de soma
Σ(fator[cnae] × PIB[cnae]) para os setores Tier 1 deve se aproximar do total nacional SEEG, excluindo LULUCF e emissões residenciais.
Teste de razoabilidade
Comparação dos fatores Tier 1 com os equivalentes EXIOBASE. Discrepâncias grandes devem ser explicáveis (ex: agropecuária brasileira tem maior intensidade de fermentação entérica que a europeia).
Cobertura
Toda divisão CNAE com exposição significativa no portfólio deve ter um fator não-zero, seja Tier 1 ou Tier 2.
Rastreabilidade
Cada fator de emissão na base carrega metadados que permitem rastrear sua origem até a fonte pública:
| Campo | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
| tier | Nível de origem | 1 |
| source_detail | Atividade SEEG ou código EXIOBASE | SEEG:Metalurgia |
| seeg_version | Versão dos dados SEEG | v13.0 (dez/2025) |
| includes_lulucf | Se inclui mudança de uso da terra | false |
| year | Ano de referência das emissões | 2023 |
| gva_year | Ano do PIB utilizado como denominador | 2023 |
| weight_method | Método de rateio aplicado | ben_energy |
Ciclo de Atualização
Os fatores compostos são recalculados anualmente, tipicamente em dezembro/janeiro, após a publicação da nova edição do SEEG (geralmente em novembro).
Contexto PCAF
Os fatores compostos são utilizados no Score 5 do PCAF — o nível mais baixo de qualidade de dados, mas o mais amplamente aplicável. Neste nível, as emissões financiadas são estimadas como:
Conforme a empresa fornece dados mais específicos, o score melhora progressivamente:
| Score | Dados necessários | Fonte do fator |
|---|---|---|
| 5 | Exposição apenas | Fator setorial composto (esta metodologia) |
| 4 | Exposição + Receita da empresa | Fator setorial × (Exposição / Receita) |
| 3 | Dados de atividade física (MWh, litros, toneladas) | Fatores físicos (EPE grid, combustíveis) |
| 2 | Emissões reportadas (não auditadas) | Dados da empresa (Fator de Atribuição × Emissões) |
| 1 | Emissões auditadas por terceiro | Dados verificados (Fator de Atribuição × Emissões) |
O Fator de Atribuição para Scores 1–3 é calculado como Exposição / EVIC, onde EVIC = Patrimônio Líquido + Dívida Total da empresa (valores contábeis para empresas de capital fechado).